AVANÇOS TECNOLÓGICOS DA CONQUISTA DO ESPAÇO

 

     Há mais de 20 anos que o GDA divulga a Astronomia através de palestras em escolas, observação do céu com telescópios para a população, exposições de Astronomia e Astronáutica, além de outras atividades. Durante esse período algumas pessoas nos questionaram a respeito dos gastos empreendidos na conquista espacial, sendo que este dinheiro poderia ser melhor utilizado em programas de combate a fome e a miséria, erradicação de doenças, segurança e outras nobres e importantes ações, que sem dúvida nenhuma seriam de grande importância para o combate a grande desigualdade social que existe em todo o nosso planeta.

     Contudo, analisando melhor este questionamento chegamos há algumas conclusões, que gostaríamos que as pessoas também refletissem conosco.

     Pois bem, segundo a nossa análise entendemos que muitas das tecnologias desenvolvidas para a conquista espacial estão sendo hoje empreendidas em várias áreas do conhecimento humano em prol da humanidade. Muitas destas tecnologias nós usamos diariamente e a maioria das pessoas não sabe que foi graças as pesquisas espaciais que se tornou possível a sua utilização.

 

            


          Além disso, vários equipamentos e materiais que são utilizados no dia-a-dia foram desenvolvidos ou aperfeiçoados no período da corrida espacial, como o relógio digital, a agricultura sem o contato com o solo, o sistema de posição global via satélite (GPS), a telefonia sem fio, a transmissão ao vivo pela televisão, o computador, o marca-passo, a tomografia, os medicamentos em micro-gravidade, o monitoramento cardíaco, o teflon, o kevlar – material utilizado na roupa dos bombeiros e à prova de bala  os tênis, a fibra de carbono, a robótica entre tantos outros. “Tudo isso era utilizado pelos astronautas e depois foram aperfeiçoados para o nosso uso comum. O computador, por exemplo, era do tamanho de uma sala, mas teve que ser reduzido para caber numa nave”.

 

 

TEFLON

TOMOGRAFIA

FIBRA DE CARBONO

TELEFONE SEM FIO  

ROBÔ EM CIRURGIAS

MARCAPASSO

GPS

ROUPA ANTI-CHAMA

 

 

 

O PROJETO APOLLO:

 

     Uma das dúvidas mais freqüentes das pessoas é sobre o governo dos Estados Unidos da América terem gastado 128 bilhões de dólares para colocar 12 homens na Lua e: qual a utilidade disso ? Os críticos do projeto Apollo chegam a dizer que ele nem mesmo resolveu de maneira conclusiva a questão científica mais óbvia que a presença humana no satélite natural da Terra poderia desvendar: qual a origem da Lua?

     Estas mesmas pessoas, no entanto, com certeza, se beneficiaram, no seu cotidiano, de inúmeras aplicações tecnológicas que tiveram início no projeto Apollo.

     A frigideira e todos os produtos feitos à base de teflon, tintas anticorrosivas aplicadas à maioria das estruturas metálicas atuais, lentes de óculos mais resistentes, germicidas, filtros de água e ar usados por médicos e dentistas, supercolas à base de silicone são alguns dos subprodutos da ida à Lua.

     Pode-se argumentar que, mesmo sem a corrida espacial, a ciência teria inventado esses artigos e  eles teriam chegado ao consumo público. Pode ser. Mas a necessidade que a Nasa tinha deles foi que os viabilizou depressa.

     É impossível quantificar em unidade monetária o que  representam esses produtos. Mas estudos revelam que pelo menos 28 bilhões de dólares  (em valores de hoje) e 352 mil empregos foram gerados por artefatos criados por causa da ida à Lua. Isso não conta o que não pode ser mensurado, como métodos de administração e vidas salvas.

     Uma das áreas que o programa desenvolveu mais foi a de resistência ao fogo, por causa da tragédia que marcou o seu início (a primeira tripulação de uma Apollo morreu carbonizada, num teste da nave em Terra). Por isso, bombeiros, pilotos de corrida, operários que trabalham em ambientes inflamáveis usam hoje, em todo o mundo, roupas de fibra de náilon criadas para os astronautas.

     As mochilas feitas para lhes dar condições de sustentar a vida quando estivessem fora das astronaves foram responsáveis por inúmeras tecnologias antibacterianas que se disseminaram.

     A medicina foi outro campo que progrediu muito e rápido por causa do projeto espacial lunar. Quase toda a tecnologia de telemedicina foi desenvolvida a partir da necessidade de manter estrito controle sobre as condições do corpo dos astronautas distantes milhares de quilômetros. Além disso, técnicas de digitalização de imagem, agora utilizadas em tomografias e outros exames que  “escaneiam” o corpo humano, começaram com a Apollo.

     A necessidade de diminuir peso a todo custo numa espaçonave, mantendo condições de segurança e resistência, levou à criação de diversos tipos de espuma, hoje utilizados em muitos produtos.

     O tamanho dos aparelhos era outra prioridade fundamental para equipar astronaves. Por isso, incentivou-se muito a microminiaturização de circuitos eletrônicos a serem utilizados na nave.

     Diversos aparelhos portáteis, de câmeras de televisão a monitores de desempenho cardíaco, se tornaram possíveis ainda por causa da urgência de aproveitar ao máximo o espaço das astronaves.

     A indústria aeronáutica é claro, está entre as principais beneficiárias da corrida espacial. Inúmeras técnicas de segurança e navegabilidade de vôo foram criadas ou aperfeiçoadas para a Apollo e depois empregadas na aviação.

     A energia solar experimentou grande impulso devido à necessidade que havia de se valer dela para alimentar instrumentos das astronaves do projeto Apollo.

     Técnicas de análise de fadiga de material, em particular de metais, também foram desenvolvidas para garantir a segurança de vôo das naves Apollo e agora têm uso generalizado na indústria mundial.

     Braços e mãos robóticas, martelos mecânicos, sistemas de conversão de energia, conversores de voltagem, que hoje têm aplicação em indústrias, escritórios e casas, cresceram com a Apollo.

     Sistemas de alarme (alguns dos quais soaram em falso no momento mais crítico, o da alunissagem da Apollo 11) tiveram grande progresso devido à corrida à Lua.

     Contabilizar o faturamento que todos os artigos gerados a partir do projeto Apollo, ou a economia que eles proporcionaram na produção de outros ao longo de mais de 40 anos, é impossível. Contudo, segundo muitos especialistas o dinheiro gasto na conquista da Lua já foi pago em 10 vezes e continuam dando muitos lucros e benefícios a todas a humanidade.

                                                             Fonte: jornal Folha de São Paulo (16/07/1999)

 

 

 

PARA VOCÊ REFLETIR:

     COM O QUE SE GASTA PARA FABRICAR UM BOMBARDEIRO B-2 ( PREÇO 780 MILHÕES DE DÓLARES) DARIA PARA SE CONSTRUIR 260 RADIOSTELESCÓPIOS, CAPAZES DE VASCULHAR NA IMENSIDÃO DO COSMO MILHARES DE FREQUÊNCIAS POR SEGUNDO E QUE NOS AJUDAM A DESVENDAR AS MARAVILHAS QUE O UNIVERSO NOS PROPORCIONA.